O Banco do México (Banxico) anunciou nesta quinta-feira (14) a redução de sua taxa de juros básica em 25 pontos base, marcando a terceira redução seguida e destacando o progresso no combate à inflação central. A decisão sugere que mais cortes podem ocorrer no futuro próximo, dependendo da evolução econômica.

O comitê de política monetária do Banxico, composto por cinco membros, votou de forma unânime para reduzir a taxa de referência para 10,25%. A redução veio uma semana após o Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, também cortar suas taxas de juros em um movimento semelhante.
Em comunicado, o Banxico destacou que as perspectivas de inflação melhoraram e que a inflação subjacente — que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, sendo um bom indicador da tendência dos preços — deve continuar sua trajetória de queda.
“Ao olhar para o futuro, o comitê espera que o cenário inflacionário permita novos ajustes na taxa de juros de referência”, afirmou o banco central no comunicado.
Em outubro, a inflação subjacente caiu para 3,80% nos últimos 12 meses, comparado a 3,91% em setembro. Já a inflação geral, que inclui alimentos e energia, subiu para 4,76% em outubro, contra 4,58% no mês anterior.
O objetivo do Banxico é manter a inflação geral ao redor de 3%, com uma margem de variação de mais ou menos um ponto percentual.
Perspectivas de novas quedas e desafios externos
Embora o Banxico tenha sinalizado a possibilidade de novos cortes de juros, o banco ressaltou que estará atento a fatores externos, como a volatilidade da moeda mexicana, o peso, e o impacto de eventuais tarifas impostas pelos Estados Unidos. “O comitê deixou a porta aberta para mais cortes de juros nos próximos meses, mas os oficiais estarão monitorando de perto o peso, especialmente se a administração de Trump intensificar suas ameaças de tarifas contra o México”, afirmou Jason Tuvey, economista-chefe adjunto de mercados emergentes do Capital Economics.
Nos últimos seis meses, o peso mexicano se enfraqueceu significativamente devido a uma série de reformas pós-eleições no México, que abalou a confiança dos investidores no sistema legal do país. Além disso, a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA aumentou a incerteza sobre o futuro das relações comerciais bilaterais entre os dois países.
Expectativa de novo corte em dezembro
Alberto Ramos, chefe de pesquisa para a América Latina do Goldman Sachs, afirmou que espera mais uma redução de 25 pontos base na reunião de dezembro do Banxico. No entanto, Ramos destacou que o “limite para acelerar o ritmo de cortes para 50 pontos base é relativamente alto, dada a incerteza interna e externa, especialmente em relação a uma série de questões na agenda bilateral EUA-México”, como as tarifas comerciais.
O Banxico também elevou sua previsão para a inflação média no quarto trimestre de 2024, mas ainda acredita que a taxa de inflação deverá convergir para a meta de 3% no quarto trimestre de 2025.
Essa política monetária reflete a contínua preocupação do Banxico com a estabilidade econômica do país, buscando equilibrar a inflação sem prejudicar o crescimento econômico, em um cenário de incertezas globais e regionais.